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Docente universitário quer mais aproveitamento de trabalhos científicos

Os trabalhos de investigação científica dos estudantes finalistas da Faculdade de Medicina deveriam ser melhor aproveitados, para a melhoria das políticas e estratégias sobre a saúde dos angolanos, considerou, esta semana, em Luanda, o docente universitário Josenando Teófilo.

 

Em entrevista à Angop, a propósito do aproveitamento dado aos trabalhos de investigação científica dos finalistas da Faculdade de Medicina, da Universidade Agostinho Neto, Josenando Teófilo acrescentou que os trabalhos de fim de curso são depositados na Biblioteca da Faculdade e têm servido de documentos de consulta para outros estudantes, porque "na medicina pura a repetição pode ser um mestre da ciência".

 

“Por exemplo, alguém pode fazer um trabalho sobre a eficácia dos anti- maláricos, ou sobre a pertinência do vector da mosca tsé tsé, e um outro discente, depois de ler este trabalho, pode encetar estudos para verificar se os resultados são os mesmos, ou ainda aprofundar mais o conteúdo investigado”, disse.

 

Jonenando Teófilo, que é também director do Instituto de Combate e Controlo das Tripanossomíases e do Centro de Investigação de Doenças Parasitárias Tropicais, afirmou que os trabalhos de fim de curso são muito valiosos, pois são defendidos perante um grupo de jurado composto por cinco professores titulares da Faculdade de Medicina.

 

Para si, seria bom que o Ministério da Saúde aproveita-se mais os trabalhos, apesar de muitos docentes da Faculdade de Medicina também trabalharem nos hospitais ou programas nacionais da saúde, pois no momento em que estão na bancada de júri têm contacto directo com os resultados dos trabalhos de fim de curso.

 

“O mais sensato seria que os trabalhos fossem vistos num fórum, ou órgão ligado ao MINSA, para que também se possa sugerir temas de investigação pertinentes, porque a investigação explica algo que está a acontecer ou prevê um acontecimento e pode ajudar na tomada de decisão, para evitar surpresas”, frisou.

 

De acordo com Josenando Teófilo, deve haver um casamento entre o MINSA e a Faculdade de Medicina, porque em vez de se olhar os trabalhos com objectivos puramente académicos, deve-se ter em conta também os objectivos de aclarar e tentar guiar para a tomada de boas decisões.

 

Acrescentou que maior enfoque é dado a temas sobre a malária, doenças diarréicas, doenças respiratórias, performance do serviço de um hospital, gestão de pessoal, motivação do pessoal de saúde, oncocercose, shistossomíase, hipertensão, tripanossomíase e de outras patologias que fazem parte do quadro nosológico de Angola, cuja qualidade depende do compromisso e entrega de cada um.

 

Por exemplo, disse, o ICCT tem recebido estudantes interessados em fazer investigação científica sobre a tripanossomíase humana africana ou o seu vector e tratamento da doença.

 

O Instituto recebe o estudante, que é dirigido no terreno e, por exemplo, se ele fizer um estudo sobre a densidade da mosca tsé tsé num determinado município, o resultado do trabalho é aproveitado para a posterior o ICCT direccionar as equipas móveis e fazer com que a luta anti-vectorial seja a mais perfeita possível e melhorar estratégias.

 

Deve haver entrosamento dentro dos trabalhos científicos, entre os Ministérios da Saúde, da Ciência e Tecnologia e a Faculdade de Medicina, pois a pertinência de cada trabalho deve interessar todas as áreas ministeriais.

 

De acordo com o professor universitário, antes, saiam 20 a 50 trabalhos de fim de curso na Faculdade de Medicina, pois o número de vagas era exíguo.

 

Devido a política de massificação de quadros implementada pelo Executivo angolano ao longo dos 40 anos de independência do país, surgiram pólos universitários e nasceram regiões académicas, o número de discentes finalistas da Faculdade de Medicina aumentou para 120, com perspectivas para crescer até 140.

 

“Agora, o número de trabalhos depende do número de finalistas”, frisou Josenando Teófilo, sublinhando que a investigação científica na área de medicina não está confinada aos alunos finalistas, mas devem também participar todos os docentes universitários, visto serem, na sua maioria, médicos no activo.

 

A investigação comporta três vertentes, sendo a baseada em trabalhos de laboratórios que necessitam de equipamentos sofisticados e de pessoas muito bem treinadas, a clínica, que tem a ver com a melhoria dos métodos de diagnósticos e fármacos e, por último, a de assistência de saúde que é virada aos estudos no terreno, que seja a vacinação ou a prevalência de qualquer doença.

 

Josenando Teófilo é Professor há 25 anos e titular na Faculdade de Medicina na cadeira de Metodologia de Investigação, Gestão de Projectos e Programas. Também lecciona Planeamento e Avaliação dos Serviços de Saúde na Faculdade de Economia é médico há 37, com especializações, mestrado e doutoramento.

 

Nasceu em Maquela do Zombo, na província do Uíge, e fez os seus estudos em Angola e em alguns países como a República do Congo Democrático, Bélgica, França e Portugal.