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Governo angolano preocupado com falsos enfermeiros na função pública

O ministro da Saúde de Angola manifestou hoje em Luanda preocupação com a situação de falsos enfermeiros inseridos na função pública, problema que tem vindo a aumentar.

Luís Gomes Sambo discursava na abertura do III Congresso Internacional da Ordem dos Enfermeiros de Angola, que hoje arrancou em Luanda e que até sexta-feira reúne mais de 2.000 participantes, nacionais e oriundos de Portugal, Brasil, Cuba e República Democrática do Congo. vai financiar um programa para reforço dos cuidados de saúde materno-infantil em cinco províncias de Angola com 30 milhões de euros, nos próximos três anos, em parceria com o Governo angolano.

O titular da pasta da Saúde referiu que esta prática tem originado "consequências nefastas” para os doentes.


"A Inspeção-Geral da Saúde tem detetado alguns casos e nós vamos trabalhar com a Ordem dos Enfermeiros no sentido de reforçarmos o papel do Estado em matéria de regulação no exercício da enfermagem e de outras profissões de saúde. Contamos com a colaboração, que já foi demonstrada, da Ordem dos Enfermeiros, no sentido de identificarmos este tipo de atos e combatermos de forma célere", frisou.
Em declarações à imprensa, o bastonário da Ordem de Enfermeiros de Angola, Paulo Luavualo, disse que estão inscritos na ordem 43.000 enfermeiros, dos quais apenas 12.000 têm já a carteira profissional.
Segundo Paulo Luavualo, a Ordem analisou já 14.000 processos, tendo detetado falhas em pelo menos 5.000.


Paulo Luvualo explicou que 5.000 processos estão pendentes, uns pela falta de documentos e pouco mais de dois mil por serem "duvidosos".
"Vamos encaminhar esses documentos ao Serviço de Investigação Criminal, à inspeção-geral da saúde, que são os órgãos competentes para investigar e apurar as causas desses documentos serem duvidosos", adiantou.
O bastonário disse que alguns desses falsos enfermeiros foram expulsos, mas que ainda é grande o número dos que se encontram a exercer a profissão sem formação, a sua maioria em hospitais públicos.
"Isto para nós é uma grande preocupação, porque os profissionais que não estão credenciados pela ordem não temos a certeza de que seja mesmo profissional. Desses dois mil e tal que têm documentos duvidosos muitos estão mesmo a exercer na função pública e não têm nenhuma formação e é um risco porque a enfermagem é uma profissão que lida com vidas humanas", sublinhou.


Na sua intervenção, o ministro da Saúde apelou aos enfermeiros a dedicarem-se à investigação científica, contribuindo dessa forma para a melhoria da qualidade dos cuidados de saúde.